Quando os Editores da New York Time Magazine pediram à A. A. Byatt apontar a melhor narrativa do milênio, escolheu a história de Xerazade:
“As histórias das Mil e uma noites, são histórias sobre contar histórias sem nunca deixar de ser histórias sobre amor, vida, morte, dinheiro, alimento e outras necessidades humanas. A narração é parte da natureza humana tanto quanto a respiração e a circulação do sangue. A literatura modernista tentou acabar com a prática de contar histórias, que julgou vulgar, substituindo-a por flashbacks, epifanias, fluxos de consciência. Mas contar histórias é intrínseco ao tempo biológico, do qual não podemos escapar. A vida, disse Pascal, é como viver numa prisão de onde todos os dias companheiros de reclusão são levados e executados. Estamos todos como Xerazade, sentenciados à morte, e todos vemos nossas vidas como narrativas, com começos, meios e fins.”
As pessoas mais refinadas escarnecem das comédias de final feliz e dos romances açucarados nos quais tudo se resolve a contento e todo mundo vive feliz para sempre. A vida não é nada disso, como podemos notar, e esperamos que as artes nos esclareçam sobre os dolorosos dilemas da condição humana.

sábado, 10 maio, 2008 


Ainda sem comentários... Seja o primeiro a responder!