Era uma vez uma centopéia que sabia dançar excepcionalmente bem com suas cem perninhas. Quando ela dançava, os outros animais da floresta reuniam-se para vê-la e ficavam muito impressionados com sua arte. Só um bicho não gostava de assistir à dança da centopéia: uma tartaruga (porque tinha inveja).
“ Como será que eu posso conseguir fazer a centopéia parar de dançar?”, pensava ela. Ela não podia simplesmente dizer que a dança da centopéia não lhe agradava. E também não podia dizer que sabia dançar melhor que a centopéia, pois ninguém iria acreditar. Então ela começou a bolar um plano diabólico.
A tartaruga pôs-se, então, a escrever uma carta endereçada à centopéia: “Oh, incomparável centopéia! Sou uma devota admiradora de sua dança singular e gostaria muito de saber como você faz para dançar. Você levanta primeiro a perna esquerda número 28 e depois a perna direita número 59, ou começa a dançar erguendo a perna direita número 26 e depois a perna esquerda número 49? Espero ansiosa por usa resposta. Cordiais saudações, a tartaruga”.
Quando a centopéia recebeu esta carta, refletiu pela primeira vez na sua vida sobre o que fazia de fato quando dançava e sufocada pelos seus pensamentos nunca mais dançou.
Para o artista pode ser importante que a razão e a reflexão não exerçam um controle tão rigoroso sobre aquilo que melhor pode se desenvolver espontânea, livre e inconscientemente.
Na maioria das vezes, a razão sufoca a imaginação; e isto é ruim, pois sem imaginação não é possível produzir nada de novo. A imaginação pode criar coisas novas, mas não é ela que realmente escolhe. Não é a imaginação que “compõe”. Uma composição, e toda obra de arte é uma composição, surge de uma admirável interação entre imaginação e razão, ou entre sentimentos e pensamentos.

sábado, 9 agosto, 2008 

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