Nas sociedades tradicionais, qualquer coisa que funcione serve. Podemos esperar que nossos antepassados, não importa quão curiosos fossem por temperamento, fizeram mais ou menos o que todos ainda fazem hoje: fiam-se naquilo “que todos sabem”. A maior parte do que você (acha que) sabe, você simplesmente crê. Com isso não quero dizer a fé em crença religiosa, mas algo muito mais simples: a política prática, sempre passível de ser revista, de simplesmente confiar na primeira coisa que lhe vem à mente, sem ficar obcecado para saber por que é assim.
Quais são as chances de que “todo mundo” esteja simplesmente enganado em pensar que bocejar é inócuo, ou que você deva lavar as mãos depois de ir ao banheiro? (Lembra daqueles “belos bronzeados saudáveis” que costumávamos cobiçar?) A não ser que alguém publique um estudo que nos surpreenda a todos, adotamos como verdade que o conhecimento comum que recebemos dos mais velhos e de outros está correto. E estamos certos em fazer isso; precisamos de quantidades imensas de conhecimento comum para nos orientarmos pela vida, e não há tempo para classificar todos eles, testando a veracidade de cada item. Desse modo, numa sociedade tribal, em que “todo mundo sabe” que você precisa sacrificar um cabrito para ter um bebê saudável, você não deixa de sacrificar um cabrito. Seguro morreu de velho.
Seja lá qual for a sua religião, há mais pessoas no mundo que não compartilham dela do que as que compartilham, e cabe a você − a nós todos, na verdade − explicar por que tantas pessoas entenderam errado e como aqueles que sabem (se houver algum) conseguiram entendê-la direito. Mesmo que seja óbvio para você, não é óbvio para todo mundo, ou até mesmo para a maioria.

quarta-feira, 10 setembro, 2008 

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