[…] a equação de Einstein nos dá a explicação mais completa do fato crucial de que nada pode viajar mais rápido de que a luz. Você pode ter pensado, por exemplo, por que razão não se pode tomar um objeto, digamos um múon, que um acelerador de partículas tenha levado a 99,5 por cento da velocidade da luz e “empurrá-lo um pouquinho mais”, até 99,9 por cento da velocidade da luz, e então “empurrá-lo mais ainda”, impelindo-o a atravessar a barreira da velocidade da luz. A fórmula de Einstein explica por que esses esforços nunca terão êxito. Quanto mais rapidamente um objeto se mover, mais energia ele terá, e pela fórmula de Einstein vemos que quanto mais energia um objeto tiver, maior será a sua massa. Um múon que viaje a 99,9 por cento da velocidade da luz, por exemplo, pesa muito mais que outro estacionário. Com efeito, pesa cerca de 22 vezes mais – literalmente. […] Mas quanto maior for a massa de um objeto, mais difícil será aumentar a sua energia. Empurrar uma criança em um carrinho de bebê é uma coisa e empurrar um caminhão de seis eixos é outra muito diferente. Assim, quanto mais depressa se mover um múon, mais difícil será aumentar ainda mais a sua velocidade. A 99,999 por cento da velocidade da luz a massa do múon estará multiplicada por 224; a 99,99999999 por cento da velocidade da luz, estará multiplicada por 70 mil. Como a massa do múon cresce sem limites à medida que sua velocidade se aproxima da velocidade da luz, seria necessário um empurrão com uma quantidade infinita de energia para que ele alcançasse ou ultrapassasse a barreira da velocidade da luz. Isso, evidentemente, é impossível e, por conseguinte, absolutamente nada pode viajar a uma velocidade maior do que a da luz.
[…] A compreensão que temos do universo físico aprofundou-se durante os últimos cinqüenta anos. Os instrumentos teóricos da mecânica quântica e da relatividade geral permitem-nos compreender e prever acontecimentos físicos desde as escalas atômica e subatômica até as das galáxias, dos aglomerados de galáxias e da estrutura do próprio universo. Essa é uma realização monumental. É extraordinário que seres confinados a um planeta que orbita uma estrela prosaica nos confins de uma galáxia bastante comum tenham conseguido, por meio do pensamento e da experiência, descobrir e compreender algumas das características mais misteriosas do universo físico. Além do que, os físicos, por sua própria natureza, não se satisfarão enquanto não desvendarem os fatos mais profundos e fundamentais do universo. Stephen Hawking se referiu a isso como o primeiro passo no rumo do conhecimento da “mente de Deus”.
O Universo elegante – Brian Greene
Companhia das Letras
ISBN 9788535900989

sábado, 11 julho, 2009 


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