Não há nada de muito extraordinário em ser imortal; com a exceção da Humanidade, todas as criaturas são imortais, pois nada sabem da morte. O que é admirável, terrivel e incompreensível é saber-se imortal. Eu notei que, apesar da religião, a convicção de alguém quanto à própria imortalidade é extraordinariamente rara. Judeus, cristãos e muçulmanos, todos professam a crença na imortalidade, mas a veneração prestada ao primeiro século de vida é uma prova de que na verdade eles só acreditam nesses cem anos, pois destinam todo o resto, por toda a eternidade, para recompensar ou punir o que se fez em vida.
O Aleph – Jorge Luis Borges
Companhia da Letras
ISBN 8535912029

sábado, 22 agosto, 2009 


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