Quando a questão é dinheiro, todos são da mesma religião

Século VII d.C.

Um dos segredos da força do exército muçulmano residia em seu “liberalismo” e sua moderação em relação às crenças dos povos dominados, unicamente, é claro, nos casos em que eram crenças monoteístas. As instruções de Maomé reconheciam os judeus e os cristãos como os “povos do Livro” e lhes concediam um estatuto protegido reconhecido pela lei. Uma famosa carta dirigida pelo profeta do islã aos chefes militares em operação no sul da Arábia especificava:

Todo convertido ao islã, quer seja judeu ou cristão, deve ser aceito como fiel – tanto seus direitos quanto seus deveres são iguais aos seus semelhantes. E aquele que quer preservar seu judaísmo ou seu cristianismo não deve ser convertido, deve pagar seu imposto atribuído a cada adulto, homem ou mulher, livre ou escravo.

[…] A política de taxação dos novos conquistadores tinha também um caráter particular: um muçulmano não pagava imposto algum, apenas os heréticos estavam submetidos a ele. À luz das facilidades de conversão ao islã, não é surpreendente que grande número de adeptos rapidamente tenha engrossado suas fileiras. Parecia também que, para mais de um, a isenção de imposto valia a conversão, sobretudo quando a nova divindade era percebida como semelhante e próxima da antiga. Sabe-se também que a política de imposição dos califas mais tarde sofreu mudanças porque o amplo movimento de adoção do islã pelas populações dominadas escravizava os cofres dos soberanos.

A invenção do povo judeu – Shlomo Sand
Benvirá
ISBN 9788502134775

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