O que é um filósofo?

“A sabedoria coletiva, infelizmente, não é substituta adequada da inteligência dos indivíduos. Os indivíduos que se opõem às opiniões recebidas tem sido a fonte de todo o progresso, tanto moral quanto intelectual. Eles nunca foram populares, como era natural. Sócrates, Cristo e Galileu, todos igualmente incorreram na censura dos ortodoxos”

Comecemos pela pergunta: o que é um filósofo? Literalmente, a palavra significa amante da sabedoria. Mas nem todo aquele que tem curiosidade por saber é filósofo. A definição precisa ser reduzida: um filósofo é alguém que ama a visão da verdade. Um colecionador de arte ama coisas belas, mas isso não o torna um filósofo. O filósofo ama a beleza em si. O amante das coisas belas está sonhando, mas o amante da beleza está acordado. Enquanto o amante da arte só tem opinião, o amante da beleza possui conhecimento. Ora, o conhecimento precisa ter um objetivo, precisa ser de algo que é, ou então não é nada, como diria Parmênides. O conhecimento é fixo e certo, é a verdade livre de erro. Por outro lado, a opinião pode estar equivocada. Mas, como a opinião não é conhecimento do que é, nem tampouco nada, precisa ser tanto do que é do que não é, como proporia Heráclito. Assim, Sócrates acha que todas as coisas particulares, que captamos através dos nossos sentidos, possuem traços opostos. Uma estátua particularmente bela também tem alguns aspectos feios. Uma determinada coisa, grande sob certo ponto de vista, também é pequena sob outro. Tudo isso é objeto de opinião. Mas a beleza e a extensão, como tais, não nos chegam através dos nossos sentidos, são imutáveis e eternas, são objetos de conhecimento.

A História do Pensamento Ocidental – Bertrand Russell
Saraiva de bolso
ISBN 9788520931509

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